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Eu hoje chorei profundamente…

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Eu hoje chorei profundamente… Pela primeira vez em 40 dias de isolamento. Chorei profundamente depois de assistir o Jornal Nacional brasileiro e ver mais de perto o que se está a passar no meu país de origem.

Chorei profundamente porque queria falar com a minha família, mas meus filhos sumiram com meu telefone.

Chorei profundamente por estar tão protegida em meu lar e tão ocupada em garantir alimento, educação, amor, limpeza, sanidade mental na minha família, que não tive tempo para me dar conta da dimensão do desastre da pandemia no mundo. Não olhando para os números, mas vendo caras, sentindo dores.

Chorei profundamente pela morte de um conhecido, vítima de Coronavírus (novo Covid-19).

Chorei profundamente por não estar a conseguir fazer nada para ajudar a sociedade, a minha comunidade, o país onde vivo e também o país onde está meu coração e tanta gente que eu amo… Para além de #FicarEmCasa.

Chorei por não ter dinheiro para fazer grandes doações, não costurar bem o suficiente para fazer máscaras ou conseguir tempo para apoiar ações on line.

Chorei por não conseguir fazer teletrabalho. Por ter meus projetos parados e nem conseguir 1 minuto do dia para poder colocar minha energia nisso ou pensar o que será do meu futuro profissional.

Chorei profundamente de preocupação com meus sogros. Que mesmo levando suplementos para eles todas as semanas, ainda é arriscado.

Chorei de saudades e preocupação com os velhinhos do Centro Social da Trafaria, com quem há anos, eu tomo pequeno almoço pelo menos uma vez por semana. (Apesar de ter fugido pela mata um dia e ir cantar na janela da Dona. Maria).

Chorei profundamente de saudade da minha família brasileira.

Chorei ao pensar nos meus tios que já são meio velhotes (mas rijos), com o sentimento egoísta de que se eles pegam o Coronavírus eu posso nunca mais voltar a vê-los.

Chorei de preocupação com meu irmão, que não tem lá uma saúde muito boa e pode pegar o Coronavírus... e nem consigo pensar viver sem ele.

Chorei profundamente de saudades dos meus amigos.

Chorei por lembrar que ontem não consegui ligar ao Edu Pupo para dar feliz aniversário, meu primeiro namorado e um dos meus maiores amigos de vida.

Chorei profundamente de vergonha por não ter deixado minha hermana tuga, a Amália, passar em casa ontem para me dizer olá. Tive medo que trouxesse o vírus. E nem consegui perguntar se ela precisava de algo, pois estava a dar aula aos meus filhos. Só disse não.

Chorei de culpa por não conseguir ter um dia de aula com meus filhos sem que eu não me estresse com eles.

Chorei profundamente enquanto fazia 2 tabuleiros de cookies de chocolate. (Um deles para levar para a Amália).

Chorei profundamente quando enquanto tomava uma taça de vinho (acho que foram duas).

Chorei profundamente quando queimei 1 tabuleiro de cookies de chocolate.

Chorei profundamente enquanto fazia 1 bolo maluco de laranja, morango e canela, que ficou maravilhoso.

Chorei profundamente enquanto fazia iogurte pela primeira vez na vida.

Chorei profundamente enquanto fazia 1 tabuleiro de pão de aveia e 1 de pão saloio.

Chorei profundamente enquanto fazia uma costela assada com brócolis, cebolas, cenoura, batata e zuchini para o jantar.

Chorei profundamente de culpa e gratidão pela vida abençoada que tenho.

Parei de chorar quando o Sebastian acordou da sesta e tinha um grande cocô. O Santi e o Samuel queriam provar o bolo e os cookies de lanche. Meu marido ia chegar do trabalho e eu ainda precisava varrer o chão da sala que estava cheio de arroz do almoço. Ainda faltava-me imprimir o material de aulas de amanhã. E tentar encontrar o telemóvel…

Ainda quero falar com a minha família e meus amigos. O quanto os amo. O quanto peço que fiquem em casa, e se não puderem, que usem máscara 24 horas, luvas e alchool gel.

Pela primeira vez em 40 dias de isolamento acho que fui realmente abaixo. Mas como um dia que tem 24 novas horas para recomeçar. A vida também é isso. Portanto, vamosavançar. Olhar para tudo isso sem drama, com muita seriedade, aprender com o presente para fazer melhor com o futuro, chorar quando for preciso chorar, mas depois se encher de força, esperança, empatia e solidariedade, amor pelo ser humano, pelo nosso planeta, pela vida. "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…"

Dolores Papa. Além de utente, também sou voluntária e amiga do CST e criadora de vários projetos de desenvolvimento sociocultural do Concelho. Sou brasileira, morei em vários países e há 7 anos Portugal é minha casa, lugar que escolhi viver e amo.

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